quinta-feira, 9 de julho de 2009

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Fernando Pessoa

Ao Longe, ao Luar

Ao longe, ao luar,
No rio uma vela,
Serena a passar,
Que é que me revela?

Não sei, mas meu ser
Tornou-se me estranho,
E eu sonho sem ver
Os sonhos que tenho.

Que angústia me enlaça?
Que amor não se explica?
É a vela que passa
Na noite que fica.

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Dorme sobre o meu seio

Dorme sobre o meu seio,
Sonhando de sonhar...
No teu olhar eu leio
Um lúbrico vagar.
Dorme no sonho de existir
E na ilusão de amar.

Tudo é nada, e tudo
Um sonho finge ser.
O espaço negro é mudo.
Dorme, e , ao adormecer,
Saibas do coração sorrir
Sorrisos de esquecer.

Dorme sobre o meu seio,
Sem mágoa nem amor...
No teu olhar eu leio
O íntimo torpor
De quem conhece o nada-ser
De vida e gozo e dor.

2 comentários:

  1. "Laila era o esplendor do amanhecer; Majnun era uma vela q se consumia lentamente pelo desejo por ela. Laila, em sua glória, era uma rosa de jardim; Majnun, um poço de saudade. Laila espalhou as sementes do amor; Majnun regou-as com suas lágrimas. Laila era um espírito de beleza do outro mundo; Majnun, a tocha ardente q iluminou o caminho dela, na travessia daquele mundo para o mundo dos homens. Laila era um jasmim na primavera; Majnun, uma planície de outono onde não florescem jasmins. Laila poderia encantar o mundo com um olhar; Majnun era seu escravo, um místico enfeitiçado rodopiando sem controle ao seu redor. Laila possuía o cálice q continha o vinho do amor; Majnun estava intoxicado por esse odor almiscarado."

    Nizami - Laila & Majnun.

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  2. Hora de reativar o blog!
    Sinto falta da sua caneta inspirada. Sinto falta dos comentários do grande literato (e incisivo) Ricardo. Sinto falta de completar com minhas besteiras inúteis. Sinto falta dessa interação.
    E sei q vc tb sente. Aqui está o teu combustível.

    Bj Kais.

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