sábado, 28 de maio de 2011

O trem passou, será?!

A Hora do Trem Passar

G                        D/F#
Você tão calada e eu com medo de falar
Am                       F            D7
Já não sei se é hora de partir ou de chegar
G                         D/F#
Onde eu passo agora não consigo te encontrar
Am                        F           D7
Ou você já esteve aqui ou nunca vai estar
Em   G      D             C            Bm
Tudo já passou, o trem passou, o barco vai
Em     G      D                 C    A         D7
Isso é tão estranho que eu nem sei   como explicar
G                         D/F#
Diga, meu amor, pois eu preciso escolher
Am                      F          D
Apagar as luzes, ficar perto de você
G                  D/F#
Ou aproveitar a solidão do amanhecer
Am                         F          D
Prá ver tudo aquilo que eu tenho que saber
G  D  A  E  B F#  A  E
La la   la    la  la  la la

Raul Seixas


E tocando, bate uma nostalgia... Saudades, do que foi vivido e do que foi apenas idealizado. É quase um retorno àquela "Irrealidade". Afinal, algumas músicas têm a capacidade de ser atemporais, elas não marcam um período, uma época, uma pessoa, um momento, etc, pois desde a primeira vez que é ouvida, sente-se, antes de mais nada, uma saudade (do que foi, sem ser).

Já é hora de apagar as luzes... (Boa noite!)

sábado, 5 de março de 2011

Quase um ano...

Escrever, Humildade, Técnica


Clarice Lispector



Essa incapacidade de atingir, de entender, é que faz com que eu, por instinto de... de quê? procure um modo de falar que me leve mais depressa ao entendimento. Esse modo, esse "estilo" (!), já foi chamado de várias coisas, mas não do que realmente e apenas é: uma procura humilde. Nunca tive um só problema de expressão, meu problema é muito mais grave: é o de concepção. Quando falo em "humildade" refiro-me à humildade no sentido cristão (como ideal a poder ser alcançado ou não); refiro-me à humildade que vem da plena consciência de se ser realmente incapaz. E refiro-me à humildade como técnica. Virgem Maria, até eu mesma me assustei com minha falta de pudor; mas é que não é. Humildade com técnica é o seguinte: só se aproximando com humildade da coisa é que ela não escapa totalmente. Descobri este tipo de humildade, o que não deixa de ser uma forma engraçada de orgulho. Orgulho não é pecado, pelo menos não grave: orgulho é coisa infantil em que se cai como se cai em gulodice. Só que orgulho tem a enorme desvantagem de ser um erro grave, com todo o atraso que erro dá à vida, faz perder muito tempo.



Texto extraído do livro "A Descoberta do Mundo", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1999.